Odiei a escola primária, por isso solidarizei-me sempre com todas as
crianças que encaram o regresso às aulas como um pesadelo. Aqui ficam algumas
estratégias. A bem do seu filho (com quem me identifico plenamente), espero que
resultem. Espero que estas estratégias possam ajudar a vencer os obstáculos.
Porque, convenhamos, ir à escola não devia ser um pesadelo.
- Aceite os protestos do
seu filho(a).
Ele diz: “odeio ir à escola” e você, angustiado(a), responde: “não odeias
nada, filho!”…
Desculpe dizer isto, mas isso é uma forma infantil de procurar que o
problema desapareça por si.
É mais difícil, mas tem melhores resultados, aceitar o protesto dele e
ouvir as suas razões. Também não dramatize. A sua ansiedade contagia-se. E se
ele disser: “tenho medo de lá ficar sozinho” e se você responder: “filho, em
dez minutos ponho-me lá”, está a transmitir-lhe a ideia de que pode realmente
ser necessária a sua presença para o salvar. Num caso como este, por exemplo, é
mais sensato explicar-lhe que na escola há adultos que podem lidar com qualquer
situação.
- Perceba o que ele
odeia na escola.
É meio caminho andando para a solução, posso garantir que normalmente as
crianças detestam;
a) Sentir que não acompanham o ritmo de
aprendizagem dos outros – O problema pode ser imaginário ou real. Se o seu
filho for um aluno muito capaz, mas muito competitivo é provável que se esteja
sempre a comparar com os outros e a tomar nota de todas as suas próprias
falhas. Provavelmente, pode pedir subtilmente à professora que lhe dê sinais
visíveis do seu sucesso, de forma a combater essa insegurança. A boa notícia, é
que habitualmente essas crianças, refilam para ir à escola, mas se lhes disser:
“então não vás”, são as primeiras a responder: “e vou deixar que o meu colega
daniel me passe à frente, nem penses nisso!”. Se o problema for real, terá de
falar com a professora dele e montar uma estratégia que o ajude a ganhar
confiança e conhecimentos fora do palco da aula colectiva. Eu, por exemplo,
tinha dislexia e gostei imenso de receber “explicações” que além de me ajudarem
com as dificuldades concretas, me deram a oportunidade de estar “uma a um” com
um professor, que por sua vez teve tempo para me conhecer e valorizar. Ah,
obviamente que é preciso descartar problemas de visão e audição, que podem
tornar um dia na escola numa tarefa impossível.
b) Ser alvo da troça alheia – Nem é preciso
chegar ao extremo do bullying, basta que por alguma razão o seu filho se tenha
tornado motivo de riso entre os colegas da aula. As crianças têm de aprender a
ter poder de encaixe e a rirem-se de si próprias (é fundamental para a vida),
por isso ajude-o a ser capaz de o fazer. Se, no entanto, achar mesmo (e durma uma
noite sobre o assunto, antes de decidir) que ele está a ser ridicularizado,
fale com a professora e peça-lhe ajuda.
c) Não ter amigos – Não tem graça nenhuma estar na escola sem
cúmplices e amigos. Nem na escola, nem em mais lado nenhum. Mas como não pode entrar
pelo recreio dentro e ordenar aos outros meninos que brinquem com o seu, (e
sabe deus a vontade temos de o fazer!), experimente convidar um ou dois colegas
de que o seu filho mais goste para passarem um dia do fim de semana com ele. Às
vezes é preciso sedimentar alianças fora da escola, para que continuem lá
dentro. Se não resultar, peça ajuda aos professores ou ao pessoal auxiliar da
escola que costumam estar no recreio. Na escola de uma das minhas filhas, havia
sempre um ou dois professores que na hora do recreio assentavam arraiais por
ali, um tocava viola e outro fazia jardinagem, agregando ao seu lado os alunos
mais solitários, que por sua vez se uniam entre si – é uma boa solução, até
para evitar que os recreios se tornem terra de ninguém onde toda a violência é
possível.
d) Achar que a(s)
professora(s) não gosta(m) dele – No tempo em que os nossos pais tomavam o partido da professora e nos
perguntavam: “mas e tu, o que é que fizeste?”, aparentemente passou-se para um
tempo em que a criança tem sempre razão. Evidentemente, que o bom-senso
aconselha a que se procure um meio-termo. Num primeiro momento dê colo, mas
logo depois tente perceber o que se passa. Ajude-o a perceber as razões da
professora, mas se achar de facto (e mais uma vez, durma sobre o assunto) que a
professora se excedeu, vá falar com ela. Por amor de deus, não apareça por lá
com 7 pedras na mão, porque assim não ajuda ninguém. Oiça e transmita-lhe o
ponto de vista do seu filho e é provável que cheguem a um consenso. Se não
chegarem, fale com o director da escola. Os nossos filhos têm de acreditar que
somos capazes de os defender e têm de acreditar que o sistema é justo, mas
também precisam do exemplo de pais capazes de negociar soluções.
Se depois de tudo isto ele passar a gostar um bocadinho mais da escola,
óptimo. Se vir que nada disto resulta, pense na possibilidade de encontrar
outra escola para o seu filho. Às vezes, mudar e fugir dos rótulos que já nos
puseram e que também nós pusemos aos outros é a única solução.











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