De acordo
com as orientações da Academia Americana de Pediatria, a exposição de crianças
à mídia deve ser desencorajada, pois pode ter consequências negativas para a
saúde e o desenvolvimento delas.
Um estudo sobre consumo de mídia nos Estados
Unidos demonstrou que 73% das crianças pré-escolares assistem televisão
diariamente, gastando cerca de 2 horas por dia na frente de TV. Em Portugal, um estudo mostrou que 86% das crianças portuguesas consomem,
em média, 3,7 horas por dia do seu tempo livre vendo algum programa de
televisão.
De facto, vários
estudos mostraram efeitos positivos sobre o desenvolvimento de conteúdo
educacional na TV. No entanto, também há evidências que sugerem uma associação
entre o tempo de exposição e problemas comportamentais independentemente do
conteúdo. Os efeitos negativos do excesso de TV e do seu conteúdo incidem
principalmente sobre o comportamento agressivo e problemas de atenção.
Recentemente,
Marina Verlinden e colaboradores decidiram estudar se a quantidade, o tipo e os
padrões de visualização de televisão influenciam o aparecimento ou a
persistência dos problemas de comportamento externalizante e desatenção em
crianças pré-escolares. O estudo foi realizado na Holanda e consistiu no
acompanhamento de uma amostra populacional de 3913 crianças. Os pais relataram
o tempo de exposição à televisão e o tipo de programas vistos pelas crianças
aos 24 e 36 meses. Os problemas de comportamento externalizante e desatenção
foram avaliados através do Child Behavior Checklist, 18 e 36 meses.
Um dos
principais resultados observados foi que uma exposição elevada e contínua à TV
se associou com uma incidência duas vezes maior de problemas externalizantes
(OR: 2,00; 95% CI: 1,07-3,75) e uma probabilidade 2,5 vezes maior de
persistirem problemas pré-existentes de agressividade e desatenção (2,59;
1,03-6,55 ). Os autores do trabalho conceituaram como "exposição
elevada" a exposição a meia hora ou mais de TV aos 18 meses e uma hora ou
mais de TV aos 36 meses. O método do estudo não permite responder se há
realmente uma relação de causa e efeito ou se as crianças que já possuem
comportamento problemático preferem (ou são empurrados pelos pais!) a ver televisão.
Sabemos que
as crianças são o grande alvo do mercado e a mídia tenta cativar sua audiência
desde cedo. Porém, estudos como esses mostram que devemos ter cuidado com a
exposição excessiva de nossas crianças à TV. Encorajar atividades físicas,
sociais e o brincar pode diminuir problemas de comportamento, melhorar a
capacidade cognitiva e prevenir problemas físicos como a obesidade.
Cabe aos
pais implementar esses hábitos desde cedo, para o bem das crianças e dos
próprios pais.












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